Segurança

Técnicos de enfermagem são investigados por usar desinfetantes em mortes na UTI do DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga pelo menos 20 laudos de óbitos registrados em hospitais do DF após a descoberta de homicídios ocorridos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. As mortes estariam relacionadas à atuação criminosa de três técnicos de enfermagem, presos durante a Operação Anúbis, deflagrada neste mês.

De acordo com a investigação, os crimes teriam ocorrido após a aplicação de uma substância letal diretamente nos pacientes internados na UTI. As vítimas apresentaram mortes abruptas, em circunstâncias inicialmente consideradas compatíveis com complicações clínicas, o que dificultou a identificação imediata da causa real dos óbitos.

Polícia analisa laudos de um ano para identificar novos casos

Segundo a PCDF, a apuração se estenderá por um período de até um ano, com análise detalhada de laudos de óbitos registrados em unidades hospitalares onde os investigados atuaram anteriormente. O objetivo é verificar se houve outros homicídios com características semelhantes às já identificadas.

O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, informou que os três técnicos possuem histórico de trabalho tanto em hospitais públicos quanto privados do Distrito Federal. A polícia apura se o padrão identificado no Hospital Anchieta pode ter se repetido em outras unidades de saúde.

Vítimas confirmadas e perfil dos investigados

Até o momento, três vítimas tiveram os homicídios confirmados pela investigação. Entre elas estão João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto (Caesb); Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios; e uma professora aposentada de 75 anos, cuja identidade não foi divulgada.

Os suspeitos são duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, e um técnico de 24 anos. Conforme apurado, o profissional mais jovem era o responsável direto pela administração das medicações intravenosas nos pacientes. Ele cursa fisioterapia. A técnica de 28 anos já havia atuado em outros hospitais, enquanto a investigada de 22 anos estava em seu primeiro emprego na área da saúde.

Até o momento, as autoridades não divulgaram a identidade dos presos nem a motivação dos crimes.

Operação Anúbis e avanço das investigações

A Operação Anúbis é conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP). A primeira fase foi deflagrada em 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada, quando dois suspeitos foram presos temporariamente e mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do DF.

Durante as diligências, os investigadores recolheram materiais e dispositivos eletrônicos considerados relevantes para a apuração. O conteúdo apreendido segue em análise pericial.

A segunda fase da operação ocorreu na última quinta-feira (15), com o cumprimento de mais um mandado de prisão temporária e novas apreensões realizadas em Ceilândia e Samambaia.

Substância utilizada dificultava identificação do crime

Segundo a Polícia Civil, os investigados teriam utilizado um composto químico aplicado diretamente na veia das vítimas, fora de qualquer protocolo médico. A substância pode provocar parada cardíaca em poucos minutos e não deixa sinais evidentes em um primeiro momento, o que pode simular morte natural ou agravamento do quadro clínico.

Essa característica foi determinante para que os óbitos não fossem inicialmente tratados como homicídios, o que agora motiva a revisão de laudos antigos.

Hospital denunciou o caso às autoridades

O próprio Hospital Anchieta comunicou o caso à Polícia Civil após identificar circunstâncias atípicas envolvendo os profissionais na UTI. Em nota, a instituição informou que instaurou uma investigação interna por iniciativa própria, o que contribuiu para o avanço das apurações e a deflagração da operação policial.

As investigações continuam para esclarecer completamente a dinâmica dos crimes, o papel individual de cada suspeito e a possível participação de outras pessoas.

Nota do Hospital

“O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça”.

Dener Rafael

Recent Posts

Governo amplia prazo de débitos que podem ser negociados no Negocie Já II – Portal Goiás

Pelo Programa Negocie Já II, contribuintes com débitos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e…

21 minutos ago

Sobe para 140 número de casos confirmados de Mpox no país, em 2026

O número de casos confirmados de Mpox no país subiu para 140 desde o início…

7 horas ago

Sebrae Goiás e a Mundo Mulher realizam Fórum Empreender Feminino na Alego | ASN Goiás

O Sebrae Goiás, em parceria com a Mundo Mulher, participou na tarde de sexta-feira ,6,…

9 horas ago

Apê a Custo Zero abrirá inscrições para 496 unidades em Goiânia – Portal Goiás

Programa de apartamentos sem custo ficará com as inscrições abertas em Goiânia de 12 de…

16 horas ago

Detran regulamenta o uso de som automotivo em Goiás – Portal Goiás

O Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) publica Portaria nº 131, de 5 de…

17 horas ago

AgSUS e FMUSP abrem mil vagas para curso gratuito sobre Saúde Digital

A Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) abriu mil vagas para o…

19 horas ago

This website uses cookies.