Parece que tem gente torcendo para Cracolândia não acabar, diz secretário sobre fluxo reduzido


Por Redação O Estado de S. Paulo – 15/05/2025 10:58

O secretário Municipal de Segurança Urbana de São Paulo, Orlando Morando atribuiu o esvaziamento da Cracolândia, no centro de São Paulo, observado nos últimos dias, às ações na Favela do Moinho, à procura de usuários por tratamento médico e intensificação das forças de segurança para coibir o tráfico de drogas na região.

Em entrevista à Rádio Eldorado nesta quinta-feira, 15, o secretário disse não considerar o sumiço dos usuários da Rua dos Protestantes, local do chamado fluxo, onde costumava ocorrer a venda e o consumo de drogas, algo repentino ou surpreendente.

“Não me causa surpresa a diminuição dos usuários naquele fluxo da Rua dos Protestantes, em todo o entorno. O que não pode ter é uma torcida do contra. Parece que tem gente que torce pra Cracolândia não acabar.”

“Nós não estamos aqui comemorando, não há comemoração, sabemos que é um enorme desafio, isso é uma verdadeira guerra, mas é uma batalha que a prefeitura e o governo do Estado estão vencendo diariamente”, afirma o secretário.

Segundo Morando, dados da gestão municipal apontam que de sábado, 10, até agora, quase 200 usuários de drogas procuraram pelas clínicas terapêuticas do município para ter tratamento médico.

O secretário aponta também que as ações do município e do governo na Favela do Moinho refletem na saída de usuários – dentre elas, o uso de cães da GCM na região.

“Desde a semana passada, todas as forças de segurança tomaram a Favela do Moinho. Literalmente, foi tomada para poder oferecer condições de moradias mais dignas e um profundo programa habitacional da Prefeitura de São Paulo junto com o Governo do Estado. Quando todas as forças de segurança tomaram a comunidade, os traficantes que ali permaneciam foram embora. Com a saída deles da Favela do Moinho, a droga ficou muito mais longe da Rua dos Protestantes”, justificou o secretário.

“No sábado, 10, nós também passamos a utilizar os cães da GCM naquela região, o que realmente inibe a entrada de drogas. Às vezes, o sujeito entra com o crack dentro da roupa íntima, mas com o cão não tem jeito, o cachorro vai identificar a droga onde quer que ela esteja.”

Ainda de acordo com o secretário, a prefeitura alega ter observado concentração de dependentes químicos apenas na Praça Marechal Deodoro, nas proximidades da estação de Metrô.

“Temos o único ponto mais intenso que a gente viu, um número que é pequeno ainda assim considerado daquilo que viviam ali nas cenas abertas de uso na Protestante foi na Praça Marechal, fora ele concentração nós não identificamos nenhum outro”, disse.

A reportagem do Estadão também constatou pequenos grupos, inclusive na região do Bom Retiro, também no centro da capital. A situação deixa moradores e comerciantes bastante apreensivos.

Morando ainda afirmou que de janeiro a abril deste ano, na área das cenas abertas de uso, na Rua dos Protestantes, 229 ocorrências foram atendidas, 125 prisões realizadas, 5,8 mil quilos de drogas apreendidas, 134 objetos relacionados a roubos e práticas criminosas, além de R$ 35 mil em espécie.

“Isso foi feito com uma ação permanente de 240 agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM), além de todas as equipes da saúde e da assistência social”, disse Morando. A ação policial municipal na região, que envolve a GCM, também conta com o apoio da Polícia Civil e da Polícia Militar.

O secretário destaca, no entanto, que os desafios ainda estão presentes. “Nós sabemos que existe ainda um risco de se concentrar, e é por isso a nossa ação permanente da GCM e não permitir que volte a se concentrar em outro lugar da cidade e para voltarmos a ter outra Cracolândia em um outro ponto. Isso é uma verdadeira guerra, mas é uma batalha que a prefeitura e o Estado estão vencendo diariamente.”

Sobre a Virada Cultural, programada para ocorrer nos dias 24 e 25 de maio, o secretário afirmou que a Prefeitura irá contar com um efetivo maior. “Teremos uma estrutura maior do que foi montada no ano passado. Muito mais segura também.”



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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