Expectativa de aproximação entre EUA e Brasil traz leve recuo às taxas futuras


O otimismo trazido pela conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump e a sinalização do líder americano de que haverá um encontro presencial de ambos à frente conferiu certo alívio aos juros futuros negociados na B3. As taxas mostraram leve recuo na sessão desta segunda-feira, mas a melhora foi limitada pela cautela com o quadro fiscal doméstico e o ambiente externo de maior pressão nos mercados de renda fixa.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 14,124% no ajuste de sexta-feira para 14,105%. O DI para janeiro de 2028 passou de 13,52% no último ajuste para 13,480%. O DI para janeiro de 2029 marcou 13,370%, de 13,428% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 saiu de 13,609% no ajuste a 13,565%.

Nesta tarde, Trump avaliou a conversa por telefone que teve hoje mais cedo com Lula como “ótima”. Economia e comércio bilateral foram os principais temas discutidos, e os dois devem se reunir em um “futuro não tão distante”, afirmou o republicano em post na rede Truth Social. “Teremos mais discussões”, garantiu Trump.

Economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano avalia que a aparente maior proximidade diplomática entre os dois países pode ter ajudado a moderar os DIs na sessão de hoje, mas a melhora foi tímida, por não ter contado com vetores mais fortes em meio a uma agenda de indicadores esvaziada. Além disso, o declínio não apagou o ganho de inclinação da curva nas últimas sessões, acrescenta.

“Vimos muita volatilidade e pressão nos últimos dias. O mercado estava um pouco alheio ao fiscal e começaram a aparecer discussões sobre algo que pode gerar mais de R$ 60 bilhões de gastos logo após a aprovação do projeto do Imposto de Renda”, diz Serrano, referindo-se a ruídos sobre uma proposta de gratuidade nas tarifas de ônibus. Em sua visão, os agentes seguirão atentos às discussões fiscais, em meio a uma semana relativamente ausente de dados relevantes, à exceção do IPCA de setembro, a ser publicado nesta quinta.

No campo dos indicadores, o boletim Focus apontou rigidez das expectativas inflacionárias. A estimativa para a alta do IPCA este ano caiu ligeiramente, de 4,81% para 4,80%, e as projeções para 2026, 2027 e 2028 ficaram imóveis. O consenso de mercado prevê aumento de 4,28% para o indicador no próximo ano, de 3,9% para 2027, e de 3,7% para 2028. O alvo central perseguido pelo BC é 3%.

Em apresentação pública feita na Fundação FHC hoje no fim da manhã, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, destacou que, considerando o Focus, não haverá convergência à meta até 2028, e reiterou o compromisso da autarquia com o objetivo central. O centro da meta é uma obrigação legal, ao passo que a banda de flutuação permitida para o IPCA, de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos, foi implementada para absorver choques, defendeu Galípolo.

Para Serrano, do BMG, a dinâmica do emprego será determinante para definir os próximos passos da política monetária. Em seu cenário, o ciclo de cortes da Selic deve começar em janeiro de 2026, mas há risco de postergação. “O BC precisa ter confiança de que vai ter acomodação do mercado de trabalho. Isso está faltando”.

Segundo os economistas Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, do Santander, impulsos como a linha de crédito consignado para trabalhadores do setor privado e o pagamento de precatórios podem influenciar a atividade à frente, com um mercado de trabalho ainda aquecido. Por outro lado, a política monetária restritiva deve moderar a velocidade da economia, ponderam.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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