O lipedema é uma doença crônica e progressiva, caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços, que não é eliminada facilmente com dietas ou exercícios convencionais.
Diferentemente da obesidade ou do linfedema, o lipedema causa dor, sensibilidade ao toque, inchaço, hematomas frequentes e uma sensação de peso nas áreas afetadas, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes. Embora a causa exata não seja totalmente esclarecida, fatores genéticos e hormonais, como puberdade, gravidez ou menopausa, são considerados contribuintes para o seu desenvolvimento.
No entanto, a inflamação crônica é uma característica central do lipedema, e é nesse ponto que a dieta desempenha um papel crucial no manejo da condição. A alimentação pode agravar ou aliviar os sintomas, tornando a nutrição um pilar essencial do tratamento multidisciplinar.
“O tratamento do lipedema vai muito além da estética; é uma questão de saúde e bem-estar. A nutrição especializada, com foco em uma dieta anti-inflamatória e na saúde intestinal, é a chave para gerenciar os sintomas, reduzir a progressão da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida das pacientes. É um caminho de autoconhecimento e cuidado contínuo, onde cada escolha alimentar se torna um passo em direção ao alívio e à vitalidade”, afirma a nutricionista Lica Stefani.
Lica Stefani explica que uma dieta anti-inflamatória é a chave no tratamento do lipedema. Alimentos ricos em antioxidantes, como frutas vermelhas (mirtilos, framboesas, amoras, romãs, cerejas e morangos), vegetais de folhas escuras (espinafre, couve-flor, brócolis) e azeite de oliva extravirgem, são altamente benéficos.
O ômega 3, encontrado em peixes gordurosos como salmão, sardinha e cavala, e em sementes como linhaça e chia, possui poderosas propriedades anti-inflamatórias e é fundamental para quem tem lipedema.
A escolha de carboidratos complexos e grãos integrais é importante. O trigo-sarraceno, por exemplo, é uma excelente opção sem glúten, conhecido por suas propriedades que melhoram a vascularização e por ser rico em flavonoides, como a rutina, que auxiliam na saúde venosa e capilar, reduzindo a inflamação e o inchaço.
A relação entre glúten e inflamação no lipedema tem sido objeto de estudo. “Suspeita-se que o glúten, em conjunto com outros componentes do trigo, possa ativar uma resposta imune inata e aumentar a permeabilidade intestinal, contribuindo para a inflamação crônica e agravando os sintomas do lipedema. Por isso, a redução ou exclusão do glúten da dieta é benéfica para muitos pacientes”, enfatiza Lica Stefani.
A saúde intestinal é um fator crítico no tratamento do lipedema. Um intestino desequilibrado, com disbiose, pode liberar substâncias inflamatórias na corrente sanguínea, intensificando a dor e o inchaço. A microbiota intestinal saudável modula a resposta imunológica e o metabolismo de gorduras, sendo essencial para controlar processos inflamatórios.
Portanto, tratar o intestino, promovendo o equilíbrio da microbiota por meio de uma alimentação rica em fibras, probióticos naturais e evitando alimentos processados, é fundamental.
A nutricionista Lica Stefani explica que alguns estudos sugerem três tipos de dieta para pacientes com lipedema, dependendo de cada caso. Ela ressalta que há também indicações de drenagem e outras técnicas multidisciplinares, mas as dietas anti-inflamatórias são as que trazem grandes benefícios. Veja!
O estudo “The Efficacy of Ketogenic Diets (Low Carbohydrate; High Fat) as a Potential Nutritional Intervention for Lipedema: A Systematic Review and Meta-Analysis“, publicado no Nutrients, feito com 329 pacientes, constatou que a dieta cetogênica levou a redução média de 8,5% do IMC (Índice de Massa Corporal), diminuição da circunferência das pernas (até 6 cm) e melhora na dor em 72% das pacientes.
“Para o lipedema, priorizamos alimentos anti-inflamatórios como peixes gordurosos (salmão selvagem, sardinha), abacate e azeite extravirgem – ricos em ômega 3. Vegetais folhosos (couve, espinafre) e crucíferos (brócolis) fornecem fibras essenciais, enquanto frutas vermelhas oferecem antioxidantes. Eliminamos açúcares, grãos refinados e óleos vegetais processados, que podem agravar a inflamação”, exemplifica Lica Stefani.
No estudo “Impact of Mediterranean Diet on Inflammatory Markers in Lipedema“, publicado no Jornal Vascular Brasileiro, pacientes que seguiram uma dieta rica em ômega 3, antioxidantes (vitamina C e E, polifenóis) e fibras tiveram redução de 30% nos marcadores inflamatórios (PCR, IL-6) em 12 semanas.
“Neste caso é indicado a inclusão de alimentos-chave: azeite extravirgem, peixes gordurosos, cúrcuma, gengibre e frutas vermelhas. Eliminamos alimentos processados e glúten, potencializamos a saúde intestinal com fibras e probióticos”, explica Lica Stefani.
Em pesquisa da Frontiers in Nutrition (2024), “Low-Glycemic Diets and Insulin Resistance in Lipedema“, o controle glicêmico reduziu a resistência à insulina em 65% das pacientes, fator associado ao acúmulo de gordura no lipedema. E, é importante cuidar da microbiota intestinal, pois o estudo da Nature Scientific Reports (2023) vinculou a disbiose à piora do lipedema.
A disbiose é a desregulação das bactérias da flora intestinal, em geral com gases ou diarreias, comuns em pessoas que são intolerantes ao leite ou alérgicas a algum alimento. “Muitas pacientes não sabem, mas um intestino saudável pode fazer toda diferença”, alerta a nutricionista Lica Stefani.
Por Gil Stefani
Fonte: Portal EdiCase
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